Trata-se do procedimento da égua conceber um produto (mãe verdadeira) e doar este embrião para uma égua receptora (mãe de aluguel) que carregará esta gestação a termo. O procedimento de coleta do embrião do lúmen uterino é não cirúrgico e relativamente simples. A coleta é feita através da introdução de um cateter através da vagina e cérvix com um balão inflável que é mantido dentro do útero. Através deste cateter é infundido meio tamponado no útero da égua. Este fluido é então drenado diretamente para um filtro. O embrião é identificado e verificado a qualidade do embrião. Posteriormente é colocado o embrião em uma pipeta de inseminação, transferindo-o para o corpo do útero.
É notório o crescimento nos últimos anos do interesse pelo uso da Transferência de Embriões (TE) pela indústria do cavalo. Hoje quase a totalidade das associações de criadores de cavalo reconhecem os benefícios da técnica, permitindo o uso da TE. No Brasil o médico veterinário João Junqueira Fleury iniciou a utilização da TE comercial em eqüinos em 1986 e o Brasil e os EUA respondem por cerca de 70% dos embriões transferidos no mundo atualmente. Uma recente normativa da raça Quarto de Milha que permite o aumento do número de embriões por doadora, certamente provocará um aumento significativo destes números no Brasil.
No Brasil existe uma grande variedade de raças que utilizam a técnica, as que mais utilizam atualmente são as raças Mangalarga Marchador, Campolina, Quarto de Milha e Mangalarga Paulista. Sendo estimada uma média de 6.000 prenhezes por ano de TE. Existindo no Brasil cerca de 30 Centros de TE em eqüinos, parte deles prestador de serviços para terceiros e outra parte para uso exclusivo em animais de um único proprietário. Nas raças Quarto de Milha e de Hipismo as TEs são tradicionalmente realizadas em Centrais em outras raças como Mangalarga as TEs são realizadas em sua maioria em estruturas montadas no próprio Haras do criador.
O Brasil é o país que mais emprega esta biotecnologia no mundo (aproximadamente 2000 potros/ano registrados), com um percentual médio de 60% de crescimento entre os anos de 1999 e 2001 no número de potros registrados nas diferentes associações de cavalos nacionais (SBTE 2003, pagina 280-1). Ocupa lugar de destaque na utilização dessa técnica juntamente com Estados Unidos e Argentina sendo um dos líderes em TE realizadas por ano (em torno de 3.500 de acordo com levantamento da Sociedade Internacional de Transferência de Embriões - IETS).
Dentre as vantagens da Transferência de Embriões, encontramos:
1. Obter produtos de éguas que se encontram em performance (competições), sem a necessidade de parar as atividades devido a gestação e/ou lactação.
2. Aumentar a produção de éguas geneticamente superiores.
3. Obter produtos de potras com 2 anos sem alterar seu desenvolvimento.
4. Mais de um potro da mesma égua por ano.
5. Obter produtos de éguas idosas ou com problemas que as impeçam de parir ou de levar a gestação a termo.
6. Ter potros de éguas valiosas sem que estas corram risco, decorrentes de gestações problemáticas e dificuldades no parto.
7. Antecipar o ingresso de fêmeas na reprodução (por volta de 2 anos) sem os inconvenientes de uma gestação nesta idade.
8. Opção de comprar ou vender embriões da égua e do garanhão de sua escolha.
9. Em único ano definir qual o garanhão que melhor acasale com a égua, comparando vários potros (da mesma idade) de uma mesma égua com diferentes garanhões.
Índices da Transferência de Embrião
Abaixo estão citados os índices e resultados médios das transferências de embrião obtidos no mundo, para que possamos avaliar o custo-benefício da técnica para cada caso.
Recuperação embrionária
Em torno de 60% é a porcentagem obtida pelo número de colheitas realizadas divididas pelo número de embriões obtidos. Este índice varia muito de acordo com a fertilidade da doadora e do sêmen utilizado. Por exemplo, em éguas jovens (até 8 anos de idade) a taxa de recuperação embrionária pode chegar aos 80 %, enquanto em éguas idosas ou com problemas reprodutivos teremos em média 30 % de recuperação, ou seja, em 10 colheitas iremos obter 3 embriões. Normalmente esta média é obtida utilizando-se sêmen de fertilidade comprovada.
Taxa de Prenhez
70-80% é o número de embriões obtidos e transferidos dividido pelo número de receptoras prenhes. Este índice é válido para a TE não-cirúrgica, ou seja, a cada 10 embriões transferidos teremos uma média de 7-8 receptoras prenhes.
Taxa de reabsorção
10 % Indica o número de éguas prenhes que "perderam" o embrião até os 60 dias de gestação. Esta taxa é idêntica para éguas com prenhez natural e éguas receptoras de embrião.
Dr. Hyago Ramalho Leite
Mestrando em Reprodução Animal - UNESP/Botucatu-SP
João Pessoa-PB